# Por que cada regra é assim

Documento de apoio. **A página [Guia de um Builder](https://guia-de-um-builder.pages.dev) é o que o
funcionário lê** — curta, sem jargão, focada em "o que eu faço agora". Este arquivo é para quem
precisa do *porquê*: gestor questionando uma regra, alguém propondo mudança, ou quem vai comunicar o
programa.

Se este documento contradisser o contrato, **o contrato vence**: `homologacao.md` + `homologacao.json`.

- **Contrato:** v1.5.0 · 22/08/2026
- **Dono:** Fundação (Carolina Bezerra)

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## 1. Por que "propriedade" e não "classe"

`classe` era a palavra do primeiro desenho, e ela não diz nada para quem não é técnico — em
programação "classe" é outra coisa completamente. **Propriedade** responde a pergunta que a pessoa
realmente faz: *isso é meu ou é da empresa?*

Mesma lógica para **monitoramento**, que já se chamou `custodia` e depois `manutencao`. Custódia é
palavra de cartório; manutenção soa a conserto. Monitoramento é o que a área de fato assume: olhar,
cuidar, manter no ar.

**Regra que ficou:** vocabulário é justamente o que o contrato único existe para padronizar. Se uma
palavra é opaca para quem lê, ela troca no contrato — não só na página. Página e IA falando palavras
diferentes é o problema que este desenho nasceu para evitar.

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## 2. Por que quatro perguntas, e não três

O documento original de homologação Git & Deploy definia três critérios: continuidade,
confidencialidade e cross-área. Faltava o quarto, e ele é o mais perigoso.

**Continuidade, confidencialidade e cross-área são problemas da empresa. Dado de pessoa é problema da
lei** — LGPD. Por isso é o único critério que não admite "é pequeno demais pra contar": não aceita "é
só um teste", "eu apago depois", "só eu uso".

Na operação da LiveMode, o dado de pessoa que mais aparece é: **funcionário** (folha, avaliação, DISC,
contato, saúde, foto), **casting** (talentos, apresentadores, atletas, influenciadores — nome, cachê,
contato, agente), **empresas contratadas e fornecedores** (contato de pessoa física, contrato, valor),
**marcas e contratos** (cotas, valores, cláusulas, prazos não públicos).

### A diferença entre a 2ª e a 4ª pergunta

Confunde, e vale a distinção: **dado da empresa que não é público** (número, contrato, negociação) é
risco de **negócio**. **Dado de pessoa** é risco **legal**. Um projeto pode ter os dois. Na dúvida
entre eles, responder sim aos dois não muda nada de prático — dado de pessoa é o mais restritivo e
carrega o outro.

### E a 3ª pergunta, que parece com a 1ª

"Mais de um time usa" parece próximo de "vira problema se sair do ar". A diferença é o que cada uma
implica: a primeira é sobre **operação** (se cair, alguém para). A terceira é sobre **decisão** —
quando mais de um time depende, decisões de produto e processo deixam de ser de uma pessoa só, e o
projeto não deveria ser construído e decidido sozinho.

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## 3. Por que a etiqueta de risco existe

Ela **não é julgamento novo**: sai direto das quatro perguntas. Isso é deliberado — se dependesse de
opinião, duas pessoas avaliando o mesmo projeto chegariam a etiquetas diferentes, e a etiqueta perderia
qualquer uso.

| Etiqueta | Quando |
|---|---|
| `R1` baixo | nem dado da empresa nem dado de pessoa — projeto operacional |
| `R2` alto | dado da empresa que não é público |
| `R3` crítico | dado de pessoa |

**Para que serve, concretamente:** responder *"quais projetos críticos existem na empresa?"* sem abrir
um por um. É a primeira pergunta de qualquer revisão de acesso. Por isso a etiqueta vira também um
marcador no repositório (`risco-r1|r2|r3`), não só uma linha num arquivo.

**O que ela não é:** nota, prioridade ou permissão. Um projeto crítico bem cuidado é mais seguro que
um simples abandonado.

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## 4. Por que separar "de quem é" de "quem cuida"

Era o buraco maior do primeiro desenho. "Corporativo" tinha um destino só: o projeto vira da empresa e
alguém de Tecnologia cuida. **A operação não funciona assim.** Existem projetos com dado sensível
geridos e mantidos pela própria área, e isso é legítimo — quem entende do assunto está lá.

Então são duas coisas, não uma:

- **A infraestrutura é sempre da empresa.** Não é escolha de ninguém: projeto da empresa mora na conta
  da empresa. É automático.
- **Quem cuida do produto é uma escolha:** a área ou o time de Tecnologia.

### A regra que decide

**Quando as quatro perguntas batem, o monitoramento é do time de Tecnologia.** É a diferença mais
nítida do modelo: ser da empresa exige homologação; bater nas quatro exige também sair das mãos de uma
área só.

E existem exceções nos dois sentidos — um projeto que bate em um critério só pode acabar em Tecnologia
se fizer sentido no caso. O contrato descreve o comum, não o único caminho, e a exceção fica registrada
com o nome de quem decidiu.

### Por que o co-owner técnico não pode ser um nome

Um segundo login no arquivo de revisores é **assinatura** — serve para desbloquear merge e nada mais.
No dia em que o dono sai de férias, ninguém sabe o que fazer.

Por isso o teste é objetivo, e reaproveita um item que já existia: **é quem coloca o projeto no ar do
zero, em menos de uma hora, seguindo só o README, sem ligar para o dono.** Se ninguém passa nesse
teste, não existe co-owner — existe um nome. E aí o monitoramento não pode ficar na área.

Efeito colateral bom: aquele item deixou de ser um teste abstrato de continuidade e passou a ser
**a prova de que a área consegue manter o que decidiu manter**.

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## 5. Por que só três coisas travam o trabalho

O desenho anterior tinha **oito** itens de bloqueio. **Oito bloqueios para 200 pessoas é cerimônia que
o time aprende a contornar** — e regra contornada é pior que regra inexistente, porque dá a sensação de
cobertura.

A alternativa óbvia seria encurtar a lista. A escolha foi melhor: **modular o efeito** de cada item,
usando a etiqueta de risco para recortar sem perder cobertura.

| Efeito | O que faz |
|---|---|
| **trava o trabalho** | a IA para de ajudar a publicar. Só três itens: dado de pessoa, segredo, porta aberta |
| **trava o selo** | não atrapalha o dia a dia; decide se o projeto recebe selo, endereço e acesso à conta da empresa |
| **pendência** | registra dono e data. Nunca impede ninguém de trabalhar |

**Por que exatamente esses três travam:** são os únicos cujo erro **não tem desfazer**. Dado de pessoa
e segredo entram no histórico do projeto e em toda cópia já feita; porta aberta é encontrada pelo
Google antes de você perceber. Todo o resto se conserta.

**O que saiu de bloqueio e por quê:** declarar propriedade e nível, e nomear dono. Ninguém deve ficar
impedido de trabalhar por não ter escrito duas linhas num arquivo. Sem declaração não há homologação —
mas o trabalho continua.

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## 6. Por que a plataforma é híbrida por propriedade

**Projeto pessoal publica onde a pessoa quiser.** Sem governança, sem custo para a empresa. Governar
projeto pessoal seria imposto sobre curiosidade, e curiosidade é o que este programa existe para
destravar.

**Projeto da empresa vive numa conta Cloudflare corporativa única**, com token recortado emitido pelo
time de Governança, por projeto. **US$ 5/mês estrutural** — da conta, não por pessoa. Git não muda
(GitHub Team).

### O ganho que não era obvio

A pessoa **não gera credencial** em projeto da empresa. Isso elimina a maior classe de risco do item de
segredo: token pessoal de escopo amplo, sem validade, que ninguém lista nem revoga. **Em 200
publicadores, seriam 200 tokens pessoais ativos.**

E simplifica a comunicação: em vez de *"crie sua conta na plataforma X"*, a mensagem é *"o time te
entrega o token do projeto"*.

### Por que não Cloudflare Access

Dois motivos, e o segundo fecha a discussão:

1. Cobra **por pessoa** acima de 50 usuários — em 200 pessoas, faixa de R$ 69–92 mil/ano (preço por
   seat de 2026 **não confirmado**; confirmar antes de virar número oficial).
2. No Pages, **não cobre o domínio de produção por padrão** — só os deploys de preview.

O caminho é **Pages Function** com o mesmo login Google que já usamos: custo R$ 0. A rota está
decidida; **a construção não está autorizada**. Enquanto não estiver: projeto com dado interno vai para
a Vercel, onde a proteção existe. Anunciar Cloudflare antes disso seria prometer uma porta que ninguém
consegue fechar.

Quando for construída, serão **duas skills irmãs**, não substituição — tem gente publicando na Vercel
hoje, e trocar a plataforma debaixo de quem já publicou não é atualização, é quebra.

### Por que a transferência deixou de ser um procedimento

No primeiro desenho, virar corporativo exigia seis passos manuais, incluindo *"revogue o seu token e
confirme que ele morreu"* — o passo que ninguém fazia, e que deixava o projeto formalmente na empresa e
materialmente na mão da pessoa.

Com a conta corporativa única, **projeto novo nasce dentro da infraestrutura** e não há o que
transferir. E para o caso comum — começou pessoal, virou da empresa — **quem conduz a transferência é o
Sentinela**, o mais automaticamente possível. Não é lista de tarefas na mão de quem construiu.

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## 7. Por que o gatilho é publicar

"Quando o projeto ficar grande" não é observável — ninguém se autodeclara. **Publicar, ou mandar o link
para uma segunda pessoa**, é um evento com data, que a própria pessoa sabe que aconteceu.

A homologação tem **três momentos possíveis**, e vale dizer os três:

| Quando | Por quê |
|---|---|
| **no início** | se já se sabe que é da empresa, começar homologado evita a transferência depois |
| **durante** | as instruções do template rodam a qualquer momento, não só no fim |
| **ao publicar** | **este é o momento em que não deveria passar.** Publicou e não fez nada? É agora |

**E a responsabilidade é das duas pontas, não de uma.** Da pessoa: perceber que o projeto virou da
empresa e levá-lo à homologação. Do gestor da área: mapear o que na área dele se enquadra. Só a pessoa
vira autodenúncia; só o gestor vira auditoria de fora. As duas juntas é o que funciona sem robô.

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## 8. Por que não há prazo por projeto

O primeiro desenho tinha "5 dias úteis" depois do gatilho. Saiu. **Prazo por projeto, em escala,
sempre vira letra morta** — ninguém acompanha 200 contadores, e um prazo que ninguém cobra ensina que
os outros também não são cobrados.

No lugar: **estado inválido**. `corporativa` + `rascunho` não é um cronômetro correndo, é uma porta que
não abre — enquanto o projeto estiver assim, ele não recebe selo, nem endereço fixo, nem acesso à conta
da empresa. A consequência é imediata e não precisa de ninguém fiscalizando.

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## 9. A janela de regularização (não está na página)

Para os projetos que **já existem** na data da divulgação. Está aqui e na comunicação interna, e
**deliberadamente fora da página** do funcionário: a página é "o que eu faço agora", e a janela é um
comunicado de transição. No meio do fluxo, ela confunde quem está aprendendo o processo pela primeira
vez.

| Fase | Prazo | Quem faz | Escopo |
|---|---|---|---|
| **1 · declarar** | **60 dias** da divulgação | cada pessoa, com o gestor | classificar e declarar: propriedade, nível, monitoramento, risco, co-owner |
| **2 · migrar** | conforme a infraestrutura ficar pronta | **time de Tecnologia** | mover os projetos da empresa para a conta corporativa |

**Duas fases de propósito.** Homologar um projeto da empresa hoje inclui migrar de plataforma, e isso
depende do Tech. Sem a separação, a janela cobraria das pessoas uma coisa que só o Tech pode entregar —
e é assim que um prazo perde credibilidade no primeiro mês.

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## 10. Por que existe um contrato único

Três lugares descrevem as mesmas regras: a página, a skill que roda no Claude Code, e o Sentinela.
**Três prosas em três lugares divergem em semanas** — e foi exatamente o que aconteceu antes: a skill
aplicava os guardrails, o Sentinela tinha lista própria, e ninguém sabia qual valia.

A solução é estrutural, não de alinhamento: **um arquivo**, `homologacao.json`, que os três leem.
Nenhum deles pode ter item próprio. Item novo é PR no contrato, e os três se atualizam juntos.

A página faz `fetch` do arquivo em vez de guardar cópia. Se a regra muda, a página muda no mesmo
deploy, sem ninguém reescrever HTML.

**O que cada lado enxerga:**
- **A pessoa** vê as quatro perguntas, a etiqueta, a matriz e o fluxo. Não vê os IDs dos itens nem os
  efeitos — ela não é especialista em governança.
- **A IA e o Sentinela** veem os 12 itens com IDs, efeitos e evidências. É a parte operacional.

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## 11. Correções que este programa fez no documento original

Registradas para quem for atualizar o documento de homologação Git & Deploy:

1. **Faltava a camada de acesso na comparação de custo.** O documento compara Git e Deploy, mas não
   compara *proteção de acesso* — porque na Vercel ela era código nosso, não licença. Na Cloudflare é
   uma escolha entre código (R$ 0) e produto (por pessoa). Sem essa linha, alguém lê "Cloudflare é
   grátis" e depois recebe uma fatura.
2. **O custo de 200 seats na Vercel provavelmente está superestimado** — só quem publica ou administra
   precisa de seat; quem visita, não. Não muda a recomendação; muda o tamanho do argumento.
3. **O log de auditoria completo no n8n saiu do caminho crítico.** O que se precisa é log de acesso nos
   projetos grandes geridos por Tecnologia, e isso vem de graça no plano gratuito do Access quando a
   audiência é pequena.
4. **O cenário de transição precisava de data.** O documento recomenda começar num modelo que ele
   próprio descreve como violação de termos de uso. Violação aceita como transição precisa de prazo —
   são os 60 dias da Fase 1.

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## 12. O que ainda não existe

- **Verificação automática de segredo antes de salvar.** Hoje nada impede tecnicamente uma senha de
  entrar no histórico de um projeto privado, e a varredura nativa do GitHub não vem no plano que
  usamos. É o único item que ataca o erro sem desfazer, e o mais barato de todos.
- **Backup dos repositórios fora do fornecedor.**
- **Offboarding de projeto no processo de desligamento.** A regra de herança existe (vai para o gestor
  da área, valendo para projeto, skill e doc). Falta o gatilho: alguém executar no dia.
- **Política de agentes**, mais ampla que o item que existe hoje no contrato.
- **Distribuição das instruções para projetos que não nascem em código.** O template resolve o caso de
  quem constrói com agente num repositório. Mas um projeto pode nascer numa ferramenta de montagem
  visual, e aí não há onde colocar as instruções — a pessoa tem que pedir a checagem em voz alta, e
  provavelmente não vai. Instalar como plugin nas ferramentas corporativas de IA cobre parte do
  problema, não todo. **É a maior lacuna de alcance do programa hoje**, e ela cresce à medida que mais
  gente constrói fora de código.
